terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Autobiografando: Amado... Discografia 1975 a 1985

Cleuta Paixão:




Direitos Autorais p/ Foto - Carlos Lacerda


Meu irmão Natal, mais novo que eu e mais velho dos homens, trabalhava como auxiliar de projeção de filmes, no Cinema da cidade em que nascemos e morávamos (Alto Araguaia, MT). Por conta disso, eu e meus outros irmãos, tínhamos entrada franca nesse cinema. Único da cidade. E lá, além de projeção de filmes, era o local aonde os artistas iam para apresentar ou lançar suas produções musicais ou audiovisuais (LPS ou Filmes), e nós, assistíamos praticamente a todos os filmes (eu preferia e ainda prefiro os de ação, comédia, drama e romance), e participávamos das apresentações artísticas que não chegavam a ser um show pela falta de produção.

E nesse cinema, um belo dia aparece o jovem cantor "Amado Batista", para lançar o ultimo LP que ele havia gravado. Produto musical que já conhecíamos e que fazia muito sucesso na cidade e em todo Brasil.

Amado, já era ídolo nacional daquela época. E esse meu irmão, assistente de projeção, era fã incondicional “d’Ele”. E sabia e ainda hoje sabe tudo sobre a carreira e vida do Amado; suas músicas; o ano de lançamento de todos os LP e hoje CD. E por conta do seu gostar, aprendemos a gostar do Amado também. E suas músicas passaram a ser trilha sonora de nossa vida assim como será instrumento para a construção dessa narrativa. 


"É um Sonho está Vida", imagine, o presente de vida que foi meu irmão realizar um "Sonho Antigo" e passar uma "Tarde Solitária", "Sem a Presença de Amigos” com Amado, preparando tudo para a apresentação logo mais à noite. Era felicidade pura, penso que foi uma das maiores emoções que o Natal teve na vida. Tanta felicidade, que precisava ser compartilhada, e fez questão que fossemos prestigiar o cantor, que através dele, era amado por todos em nossa casa.

Quando cheguei ao cinema, de pronto, fui apresentada ao Amado, que muito carismático, sorridente, de uma simplicidade e sinceridade enorme, foi bastante atencioso, o tempo todo "Cativo", ficamos ali, parados na entrada do cinema, mais alguns admiradores, e só saiu quando foi para o palco, que não chagava a ser palco, fazer sua apresentação. Cantou e encantou a todos com seus sucessos em destaques. Retornando ao fim da apresentação, e após a tietagem do público presente. E fomos, ele e eu junto com meus irmãos, para nossa casa que ficava quatro casas acima do cinema, do outro lado da rua. Nesse percurso o Amado, foi abraçado comigo, conversando: perguntando se eu namorava; estudava; do que eu gostava e etc. E eu naquele momento era uma "Borboleta" ao lado de "Um Forasteiro", indo ao encontro da "Mãe", que viúva, trabalhava dia e noite, com dignidade: durante o dia lecionava em um grupo escolar municipal, e costurava a noite, para complementar o orçamento e sustentar os cinco filhos, mais seu pai e um irmão...

Em casa, como faziam ás visitas, atravessamos ás salas e fomos direto para a cozinha, que era enorme e onde nossa mãe estava costurando. Lá “Ela”, preparou um café e saboreando o café permanecemos conversando. E Amado, que também era de origem simples ficou bem à vontade. Tempo suficiente para ele pedir a minha mãe, se brincando ou não, para namorar comigo. Nessa hora, num ímpeto saí. “Meu Pressentimento” foi que a qualquer momento adentraria a porta aquele que provocava meu suplício. “Desisto”! E fiquei sabendo que após minha “Mãe”, convencê-lo, que apesar do corpo feito e idade, eu era menina, e não estava preparada para namorar (não sei se ela falou o motivo), Amado, que fora "Precipitado", meio que inconformado, se despediu de mim, na porta da frente dizendo que um dia iria namorar comigo, e se foi "Disparado pelo Mundo", enquanto continuamos nossas vidas, ele fazendo cada vez mais sucesso e eu, mesmo admirado seu trabalho, sem nunca ter levado a sério, sua fala, até mesmo porque eu era, sem que eu quisesse ser, de certa forma comprometida, e disso eu já sábia... 

E mesmo eu já estando com dezesseis anos, não estava mesmo preparada para namorar outra pessoa, todas tentativas eram frustradas e vãs. Talvez não mais estivesse depois da aventura de namorar, aos doze anos de idade, quando toda comportada e obediente, pedia para namorar um primo, e minha mãe insistia que eu não estava preparada. E foi apenas por curiosidade, que decidida, disse a ela que iria namorar o primeiro que aparecesse em minha frente. "Chorei a Noite Inteira" e segui com lagrimas nos olhos para a casa de um primo, onde estavam todos os jovens reunidos, para juntos, assistir ao final da novela Anjo Mau, (em 24 de agosto de 1976), conheci e comecei a "namorar", um cara de vinte e dois anos. Mais velho e bem mais experiente que eu. O Namoro durou até 1977, quando ele que era muito respeitador, só pegava na mão, trocava balas segurando pela boca, selinhos, abraços, ensinava dirigir e fazia planos, ao som de Roberto Carlos e Amado Batista, teve ciência que eu não corresponderia suas expectativas; trocava sua companhia, por qualquer brincadeira de boneca, e me escondia dele depois do primeiro e único beijo de língua, que ele conseguiu roubar por todo o período de namoro...

Ele terminou o namoro, dizendo algo parecido - "OH! Linda", "Você Perdeu Um Amor", "Te amei, Te amo e Por Você Eu Chorei" (eu sequer sabia o que era amor entre um homem e uma mulher, e que o "Amor Não é Só de Rosas". Minhas paixões de adolescente eram todas efêmeras), antes porem, estava apegado às "Fagulhas de Amor", e "Um Pouco de Esperança", no "Quando Você Voltar". E assim, sentou-se com minha mãe, "Mascando Chiclete" (como costumava ficar), colocou a "Carta Sobre a Mesa", e "Os Pontinhos" nos ís, enfatizando que pensou que eu com o tempo, fosse adquirir maturidade, e mesmo sendo infantil era especifica, e ia esperar que eu fizesse quinze anos, para reatar o namoro se casaria comigo. E que até lá, cuidaria para eu me dedicar somente aos estudos. E esse "ex-namorado", escrivão de polícia por profissão, bom moço e bom partido, revestido de "Não Consigo Te Esquecer", "Cuidado Menina", "Eu Nunca Mais Vou Deixar Você". Só fazia três coisas na vida aos olhos do público: trabalhar, estudar, e como um "Vulto Na Estrada" da minha vida, cuidar para que eu não me envolvesse com mais ninguém. Apoderando-se da minha liberdade de estar ou enamorar outra pessoa. E mesmo ao ser transferido para outra cidade, onde ele foi cursar direito, antes, correu com paqueras, pretendentes e seresteiros. Deu fim à "Serenata"! E quantas e quantas vezes, eu estava com amigos, em rodas de viola, lanches ou na discoteca que havia recém-inaugurado na cidade, ele chegava, "Só Vou Ficar Por Aqui", observando ou com a desculpa que minha mãe mandou buscar, me levava mesmo protestando, para casa. Chegando lá, minha mãe dormia profundamente, e eu irada pensava, "Você Não Presta"! E ele "Sentado Na Praça" da Ilusão, não percebeu que "O Relógio Atrasou", o tempo passou. E de Campo Grande, onde morava, o serviço e a faculdade consumiam seu tempo, mas não seu pensamento, que quando não consegui vir até a cidade que eu morava, enviava cartões ou telegramas, principalmente nos aniversários e no natal, o que também não me deixava esquecê-lo.

E hoje, mais lucida, penso sobre tudo que aconteceu, e aconselho às minhas sobrinhas que "Não Faça Jamais Como Eu Fiz", quando aos treze anos de idade, com o fim do namoro, pensei ser a única saída encontrada para continuar a relacionar com os meninos da minha idade, e repleta de conflitos e temores que ele, a quem julgava ser algoz, mesmo sem saber o que de fato significaria ser algoz, voltaria quando eu completasse meus quinze anos, ia casar, mesmo contra minha vontade. Ter filhos e netos como planejou. E só de imaginar o que ele poderia vir a fazer comigo, ou com alguém que viesse corresponder aos meus sentimentos... e que desejando sua “Ausência” permanente, ou que não houvesse "O Julgamento" de minhas atitudes futuras, passei a usar meu segundo nome Inêz, junto com Christina, que vem de Cristo (a quem eu pedia proteção todo tempo), o que possibilitou conviver e corresponder com outros jovens. Receber "Suas Cartinhas", sem que estes fugissem de mim, ou se constrangessem com a presença do apoderador. Em contrapartida, pela "Última Lembrança", e sentindo "Intrusa", em participar de outra vida, não me atrevia a namorar mais ninguém... 

E assim, sem namorar, e recusando pretendentes, vivi meus dias até os dezesseis anos, quando fui estudar em um colégio interna. Me preparando para seguir para o convento, convicta que seria irmã salesiana. Lá continuei minhas aulas de canto, e fui expulsa do colégio com dezessete anos, quando meu professor de canto, enamorado, pediu para namorar comigo, e eu dizer que não poderia ser sua namorada ou ama-lo, porque havia uma pessoa que eu era comprometida, e nos perseguiria, e por isso estava decidida a ser irmã de caridade. E que audaciosamente, depois de muito insistir e receber negativas, ele em uma noite, pulou o muro do colégio, e fez uma "Serenata", cantando as músicas que eu mais gostava de cantar durante nossas aulas: "Índia" (Cascatinha e Inhana) na voz do Roberto, "Gosto de Tudo" (Roberto Carlos) e "Última Lembrança" (Amado Batista), com direito a "A Velha Carta" de amor, urso de pelúcia e flores. Vestígios que identificavam o alvo da audaciosa invasão (algo que jamais havia acontecido na história dos internatos segundo relatou a diretora), e que quando fui chamada à diretoria, a proposta recebida pela austera irmã diretora, para eu continuar como interna, seria negar que a "Serenata" foi feita para mim. E eu, que aprendi com meus pais a dizer a verdade sobre tudo, não seria capaz de mentir, coube-me a expulsão, voltar para casa e continuar sendo a Inêz Christina, para os enamorados. E para a família e amigos, Cleuta, Cleutinha, ou Inêzinha, e para as paquerinhas somente Inêz.... Até conhecer um rapaz que havia se mudado para a cidade, e começar a namorar com ele, aos dezessete anos...

E namoro para mim era beijo e abraço sem “amasso”, que comigo ninguém conseguia. Graças ao meu pai, que 38 anos mais velho que eu, tinha abertura de diálogo, e que talvez ele sentisse que não estaria ao nosso lado, quando fossemos jovens namoradeiras. E ele falava sobre as reais intenções dos rapazes, e como eu e minhas irmãs deveríamos proceder. E assim com três meses de namoro, e sem conseguir mais que os beijos e abraços, propôs casamento e aceitei, ele se mudou para uma cidade vizinha e planejamos o casamento para o próximo ano, quando ele retornou véspera de Natal, retornava no mesmo dia, o aquele que apoderou da minha liberdade e esperava para casar. E que eu imaginava utopicamente não mais encontrar. E por conta desse retorno, aconteceu uma das cenas mais hilárias que tenho lembranças: lembro-me que estávamos em um Baile de Formatura, quando vi adentrando o salão em minha direção o “apoderador algoz”, num ímpeto me enfiei debaixo da mesa e fugi abaixada, engatinhando pelo salão rumo a porta, como se eu fosse uma criminosa fugitiva. E chegando a nossa casa pedi para meu irmão que estava na frente dela, não falar para nenhum dos dois que eu estava lá.

E no dia seguinte, fui acordada por minha mãe, que tinha os dois moços na cozinha a minha espera. Fato é que o rapaz que eu estava namorando já havia conversado com o “Algoz” e terminou o namoro comigo de cara, sem ouvir minhas explicações, e junto acabava também, a esperança do apoderador, quando o enfrentando pela primeira vez, dizia que não seria nunca mais sua namorada, ou sua pretendente, ou qualquer coisa, e não queria casar e ter filhos com ele. Eu só queria ser uma jovem como todas às minhas amigas: livre!

E de volta a Campo Grande, cidade que trabalhava e cursava direito, não mais o vi e fiquei sabendo que "O Acidente" trágico, o levou a óbito. E eu menina cantante, que aprendeu falar cantando Roberto Carlos e às músicas sertanejas que ouvia meu pai, cantarolar, segui ouvindo às músicas que gostava, além das do Roberto e do Amado... Músicas, que aos poucos foram encolhendo em minha voz, canto abandonado pelos cantos desses anos idos, para somente embalar meus "namoros" de três meses, que terminavam junto às propostas de casamento que eu recebia. Sabendo no fundo bem lá no fundo, hoje eu sei que sentia e sinto culpada pelo alivio de o fim de um comprometimento unilateral com meu apoderador da minha juventude, e a conquista da minha liberdade, devido uma tragédia, e que mesmo que seja o contrário, eu possa ter provocado aquele acidente. Fato esse, que povoa meu inconsciente e me acompanha por toda minha existência, provocando uma síndrome crônica, que só tive ciência e consciência disso no momento em que comecei a escrever esse texto. Prova disso é a fuga, de todos que se enamoravam ou propunham casar comigo. Fugindo, escolhi abrir mão do amor, e das paixões, por um porto seguro amigo, sem saber que pagaria por essa escolha o preço do desamor! E sem perceber que a voz se encolhia cada vez mais, ao ponto de descobrir que não mais tenho voz cantante ou sei cantar. E o que eu outrora fui, se perdeu junto ás memorias afetivas, que precisavam ser esquecidas, junto com ás músicas do Roberto, e do Amado, que vai do LP Cartas Amor de 77, ao LP Um Pouco de Esperança de 81, cujas letras, foram trilhas, sonoras de toda essa vida ida, conforme descrito.

E em todo o tempo eu clamo: "Oh! Deus"! "Quem Vai Morrer Sou Eu", se eu perder "Meu Equilíbrio", "Pensando Em Você"... "Voz do Vento", outrora insistia em um "Casamento Forçado"... "Ah! Se Eu Pudesse", não teria feito dele um "Brinquedo de Criança", impetuosa e rebelde. Tampouco, "Sol Vermelho", foi em meu viver... Sua "Ideia Justa", planos em ter "Nossa Casinha", "Casa Bonita" a meu ver, foram injustos. Apenas "Folha Seca" d' "A Flor Que Não Era Flor", espalhada por "Estradas" infindas, de uma "Paixão Violenta", onde só um sentiu. E que todos os dias, "Quando O Sol Brilha Na Manhã", Elevo meu pensamento a Deus, pedindo paz, a minha, e a alma dele, e serenidade ao meu coração. E assim tem sito durante toda minha vida.

E antes de tudo, de todas essas histórias, eu tive meu primeiro amor. O sonho real mais lindo e puro da adolescência: aquele que acontece quando se tem dez anos de idade, e se está descobrindo o sentimento pelo outro, e as sensações do seu corpo diante da presença do outro. E que meu pai, homem sábio, melhor amigo e confidente, ainda vivo, autorizou o namoro desde que fosse só conversar, sentar perto e no máximo pegar na mão para cumprimentar, deixando bem claro que beijos e abraços só deviam acontecer quando fizesse quinze anos e demais intimidades depois que casar. E que como era namoro de férias e ele morava em outra cidade em outro estado, se foi voltando nas férias do ano seguinte e depois não mais voltou. E que aos dezenove anos quando diagnosticada com reumatismo no sangue e com estado emocional bem abatido, por conta de não superar a morte do “apoderador”, em tratamento, fui aconselhada a ir para outro local em que pudesse me recuperar, num consenso familiar, fui passar uma temporada na casa de minha tia, onde reencontrei meu primeiro amor, e do platônico namoro que para mim nunca havia terminado, começamos a namorar e planejávamos casar e viver juntos pelo resto de nossas vidas: sonho desfeito por nossa família, que nos julgavam muito crianças e éramos, mas sabíamos o que queríamos e queríamos um ao outro... E separando-nos de maneira que não tivemos mais contatos, até ser surpreendida com uma ligação dele um dia antes do meu aniversário, em 2010 (história emocionante que marcou minha vida de maneira intensa e que será contada em outro momento, quando estiver preparada)...

Enfim! São histórias para se não esquecidas, e devem ser contadas em outra ocasião, aqui foram ressalvadas, apenas para compreensão de uma conduta, se é que tem!

E voltando ao Amado Batista, a vida segue. A nossa seguiu! O tempo fez com que mesmo continuando a ouvir esporadicamente ás músicas de Roberto Carlos e do Amado Batista, e ciente de um dia tê-lo conhecido, o fato parecia ter ficado para ambos no passado, quando no início de setembro de 2010, mês que fui produzir um evento em minha maternal Alto Araguaia, e que sabia que “Ele” (Amado Batista) estaria lá como uma das atrações do evento, estava tranquila. Quiçá, "Quando Eu For Embora", ele não lembraria e eu ignoraria aquele dia, "Passarinho" não viria anunciar, outros não saberiam a dor e o pavor da minha triste história de amor, não retornaria.

"Pequenino Céu", acaso Amado e eu ficamos no mesmo hotel: ele nada mudou em amabilidade, carisma e simpatia, que prontamente atendeu minha equipe de trabalho, composta por mais de trinta pessoas, todos eufóricos para tirar foto com “Ele”, e pediu para eu intervir e foi o que fiz sem me identificar. "Noite Linda", "Grande Cantor", Amado, sorridente abraçava e era fotografado com todos, e eu fotografava todos, mantendo certa distância, mas em um dado momento, ele, pergunta se eu não iria tirar foto com ele. Como se "Procurando Alguém", como que porventura, ele, venha se lembrar, respondi que não. Não era preciso! Usando a desculpa que a equipe havia tomado todo seu tempo, e “Ele”, já estava atrasado. Ninguém entendeu nada, como não querer irar uma foto com um ídolo, o cantor mais amado do Brasil? Todos queriam... E ele segurando aquele sorriso que é só dele, demostrando talvez rejeição, se perguntando "Quem Será"? Não sei talvez eu nunca saiba se pensou "Acorde Amor", a vida é mais bem mais que seus conflitos.

Agradeci a atenção e o tempo dedicado desejando bom show e sai.... Quando fui questionada pela minha equipe, contei a história de quando nos conhecemos, sem contar sobre minha história de amor, que não conseguiria contar, sequer pensar. Foi uma vida fugindo desse ocorrido, e de tudo que fizesse lembrar-se do que até então estava no passado. E disse que temia que ele me reconhecesse - E temia mesmo, foi como se trouxesse à tona aquela culpa, que mesmo sem admitir, me persegue. Todos riram, acharam que era estória e que o motivo era outro, já que com o tempo desenvolvi uma personalidade brincalhona, a mesma que penso camuflar meu pesar, minhas culpas, minhas desculpas... 

E justificando, seguimos para o local do evento, e logo no início do Show o Amado, em outras palavras, diz para o público que mais de trinta anos atrás, no início de sua carreira, esteve pela primeira vez naquela cidade, conheceu e se enamorou por uma menina, e disse que a próxima música, ele fez para a sua “enamorada”. Surpresa pela declaração, eu que estava no camarote em frente ao palco, fui perdendo a audição e me escondendo, era como se ele estivesse me vendo e a minha equipe acenava, tentava mostrar que eu estava ali. Desconfortavelmente angustiada, nem me lembro do nome da música. De volta ao hotel encontro seu produtor, elogio o show que foi lindo, e foi mesmo, peço novamente desculpas por não ter tirado a foto, que não faltaria outra "Chance", e que ele as transmita ao Amado, informando que o único motivo da minha recusa para a foto, era mesmo o atraso para iniciar o show. Fui para o quarto, chorei muito, estava de volta “Seresteira da Noite”, “Menininha Meu Amor" e “Posso Morrer de Amor”... Estava de volta tudo que tentei apagar pela culpa na minha mente, nos últimos trinta e um anos, e eu não estava pronta para enfrentar tudo isso novamente. Pensava que nunca estaria... E trancafiada no quarto, até o dia seguinte e ter a confirmação que Amado e sua banda já haviam deixado o hotel, partimos para realizar outro evento, em outra cidade. Percurso que destroçada, eu estava irreconhecível durante a viagem, ausente de toda a personalidade brincalhona de outrora. 

Só chorava achando que disfarçava às lagrimas por traz de óculos escuro.

 

No fundo, bem cá no fundo do meu ser, eu sabia e sei que não há desculpas. Tampouco culpas! É preciso encarar que existe uma síndrome, e superar tudo isso, se não sozinha, com ajuda profissional. E o primeiro passo, é começar a colocar para fora, que seja falando ou escrevendo, como faço agora. Não quero mais fugir do passado, do Amado, nem de outra pessoa, que um dia se enamorou por mim, ou que fizeram parte do período que tudo ocorreu. Eu não compreendia, não sabia hoje eu sei! Só hoje eu sei! Magoei uma pessoa, que nunca desejei magoar.... Magoei pessoas, e não lhes dei o direito de saber o motivo, que eu mesma não admitia ser. E fiz isso até o presente... E a partir desse momento, lutarei contra meus fantasmas, enfrentarei todos eles, e o resultado é colocar para fora tudo que estava bem lá dentro, no ínfimo do meu ser, foi trazer de volta a gravidade da alergia crônica, e suas reações. Esta que hoje me preocupa mais que a dor e a culpa. 

E após este relato há Três percepções: 
A Primeira: que o Wan (início do nome do meu "apoderador”), não foi em momento algum algoz. Foi sim, além de muito respeitador, cuidador e apaixonado. Eu em meu despreparo, nada compreendia, que apenas me amava e protegia. E sobre esse fato, aconselho aos pais intervirem por seus filhos, protege-los até a idade que consigam discernir por si só. Ou seja, uma jovem, antes dos dezoito, é impossível ter ciência se está preparada para a vida adulta: namorar, ter relações ou casar. Atos corriqueiros com anuências dos pais.

E a Segunda: devo pedir desculpas ao Amado, e o faço de público. Mais que desculpas, que ele saiba de tudo que ocorreu.... Desconfio que ele já saiba quem eu sou, porque há um amigo em comum, o Produtor que o levou em Alto Araguaia, que ao me visitar em Goiânia, contou para minha mãe sobre a ida do Amado, no Festival, o show e a declaração sobre a música e lembrança da menina, e minha mãe disse que a menina era eu. E ele, mesmo sob meus protestos, informou que revelaria o fato ao Amado. De todo modo, talvez nunca tenha dito, ou ele, venha a ler esse texto, e descobrir o motivo da minha conduta diante da abordagem, e quando novamente tive a oportunidade de reencontrar alguém, que mesmo por um momento fez parte de minha e da história dos que mais amo, e que foi inspiração para mais uma bela canção. Canção, que eu ouvi muitas vezes sem saber, hoje eu soube para quem compôs, resta: Desculpa e Obrigada!

E ainda com sintomas da síndrome "naqueles tempos tão longe", reações alérgicas e em pânico, a cada nova situação parecida, estou pela primeira vez confortável para falar sobre tudo isso, e espero que um dia "Venha Até Aqui", e eu possa te abraçar, dizer que continuo amando Amado Batista, e "Posso Morrer de Amor", ouvindo suas músicas; pedir essa desculpa e agradecer pessoalmente por você existir e existir em nosso viver – meu e de minha família, e pelas suas músicas que volto a ouvir, pedir "Perdão Meu Amor", ao cara que lá atrás mostrou pelo seu amor a música, que o "Amor Não Tem Idade". 

E a terceira: Continuar orando, para que o Wan, que hoje habita em meu coração, tenha luz e paz, ao ponto de transmiti-las para meu eu atormentado, serenando minha alma e permitindo um novo recomeço. E igualmente orar pelo Amado Batista, também, para que seja Feliz e continue por muito tempo entre nós, nos encantando com sua batida de violão e voz, ambas inconfundíveis.  


E como forma de dedicação e redenção, compartilho a entrevista de 2010 (credito a José Nildo Silva), onde ele confirma que já esteve na cidade antes, e a Discografias de 1975 a 1985, primeira década de música de nosso "Amado" Batista, destacando ás letras das músicas Deus BorboletaSerenataO Amor não é só de RosasIntrusaNossa CasinhaPensando em Você e Passarinho e faixas do LP Seresteiro da Noite, enfatizando a letra da música Seresteiro da Noite.


By Cleuta Paixão*



Amado Batista 1975 CD Completo

Amado Batista - Deus 1975


Sentado no mundo
Olhando as estrelas
Olhando pra terra
As coisas que são feitas

Caminhos tão longos
Estradas vão distantes
Sem nada pra ter
Sem nunca pra viver

E aqui bem distante
Vou seguindo a terra
Regrando a mente
De cada um que vive

Meus semideuses na terra
Retira os pecados
Alimenta o meu povo
Do meu corpo e meu sangue

E aqui bem distante
Vou seguindo a terra
Regrando a mente
De cada um que vive

Meus semideuses na terra
Retira os pecados
Alimenta o meu povo
Do meu corpo e meu sangue

(Composição: Amado Batista)


Amado Batista 1977 CD Carta de Amor Completo


Amado Batista - Borboletas 1977


Triste, sentado aqui nesse jardim
Olho assustado em volta de mim
Só borboletas ... borboletas

São borboletas que beijam as flores
Formando nuvens de asas multicores
Sobre minha cabeça

Borboletas ... borboletas
Borboletas ... sobre minha cabeça

Elas aumentam a minha ilusão
E tomam parte em minha solidão
A todo instante

Também me trazem lembrança de alguém
Da borboleta que era meu bem
E que está tão distante...

Borboletas ... borboletas
Borboletas ... ela está tão distante

Oh borboletas, parente de ar
Porque agora resolvi contar
Porque sou triste assim

É que alguém que eu tanto queria
Voou pra longe e eu nem mesmo sabia
Que era uma borboleta...

Borboletas ... borboletas
Borboletas ... era uma borboleta ...

(Composição: Amado Batista/Reginaldo Sodré)




Amado Batista - Sementes de Amor - 1987

Amado Batista - Disparado pelo Mundo - 1987

Amado Batista - Você Não Presta - 1987

Amado Batista - Só Vou Ficar Por Aqui - 1987


Amado Batista - Precipitado - 1987

Amado Batista - Não Faça Jamais Como Eu Fiz - 1987



Amado Batista - Tempo Contado - 1987

Amado Batista - Serenata


Ah! como eu queria
Voltar ao passado
Cantar com meus amigos
Pra você fazer serenata
Nas madrugadas vazias
De sereno meu violão molhado
Eu cantava em sua janela
Eu era o seu namorado

A lua descia do céu
Eu cantando você acordava
Com os olhos cheios de amor
Abria a janela e me beijava
Depois de te dar uma flor
Quase chorando eu ia embora
Ah! se voltasse esse tempo
De poesia sem dor de outrora

O tempo passou como as nuvens
Sopradas pela tempestade
Onde está a minha alegria
Já não tenho mais felicidade
Vou cantar outra vez pra você
Joga fora essa dor que me mata
Vou chamar meu melhor amigo
E pra você fazer serenata

A lua descia do céu

Eu cantando você acordava
Com os olhos cheios de amor
Abria a janela e me beijava
Depois de te dar uma flor
Quase chorando eu ia embora
Ah! se voltasse esse tempo
De poesia sem dor de outrora

(Composição: Amado Batista/José Fernandes)












Será que eu estou sonhando
Será que você vai embora
Talvez você esteja brincando
Ainda não chegou a hora
Se é verdade eu não sei
Pois ouvi alguém dizer
Que você pega a mala e chora
Porque fui te conhecer

Vamos viver nossa vida
Jogar este ciume fora
Na verdade eu te amo
E esse amor não é de agora

Pare um pouco pra pensar
Nosso tempo é precioso
Quero apenas te lembrar
Eu que sou um ambicioso
Espero que você entenda
As minhas explicações
Não troco você por nada
Nem que eu tenha razões

Vamos viver nossa vida
Jogar este ciúme fora
Na verdade eu te amo
E esse amor não é de agora

Pois eu sei que separar
Não resolve o nosso caso
O negócio é controlar
Vem correndo num abraço
Correndo sei que não veio
Mas aceitou os meus carinhos
Foi o fim do desespero
Já não vou ficar sozinho

Fomos viver nossa vida
De amor, versos e prosas
Toda vida tem espinhos
O amor não é só de rosas

(Composição: Amado Batista/Reginaldo Sodré)











Amado Batista 1981 CD Um Pouco de Esperança Completo


Amado Batista 1981 - Intrusa - CD Um Pouco de Esperança Completo


Você
Entrou na minha vida 
Sem saber por onde
Mexeu nos meus segredos
Eu nem sei a fonte
Fofocas e fofocas
Me envolvem em duas vidas
Tentando colocar em jogo um romance
Que esteve falido

Você
Não sabe o que está falando
Você
Se soubesse que eu te adoro tanto
Não estaria aí dizendo coisas que não deve
De seu melhor amigo
Você
Que eu tive a coragem de dizer baixinho
Só pra você
Os segredos de uma vida a dois
Justamente você foi servir de intrusa
Numa segunda história


Você
Não sabe o que está falando
Você
Se soubesse que eu te adoro tanto
Não estaria aí dizendo coisas que não deve
De seu melhor amigo

(Composição: Amado Batista/Reginaldo Sodré)


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Amado Batista 1982 CD Sol Vermelho

Amado Batista - Ah! Se Eu Pudesse

Amado Batista - Listas de Compras

Amado Batista  1982 - Nossa Casinha - CD Sol Vermelho


Coisas que a gente não vai conseguir
Mais esquecer
Nossos momentos, o nosso tempo
Como era lindo o nosso amor

Nossa casinha lá no alto da montanha
O nosso amor era cheio de paixão
Mas hoje eu vejo tudo, tudo acabado
Você pro lado e eu em outra direção

E esta saudade apertando o meu peito
Não vejo um jeito de ainda ser feliz assim
E esta saudade apertando o meu peito
Não vejo um jeito de ainda ser feliz assim

Coisas que a gente não vai conseguir

Mais esquecer
Nossos momentos, o nosso tempo
Como era lindo o nosso amor

Nossa casinha lá no alto da montanha

O nosso amor era cheio de paixão
Mas hoje eu vejo tudo, tudo acabado
Você pro lado e eu em outra direção

E esta saudade apertando o meu peito

Não vejo um jeito de ainda ser feliz assim
E esta saudade apertando o meu peito
Não vejo um jeito de ainda ser feliz assim

Lá lá lá
Lá lá lá
Lá lá lá
Lá lá lá

(Composição: Adilson Silva)


Amado Batista - Menina dos Olhos Azuis

Amado Batista - Quem Vai Morrer Sou Eu

Amado Batista - Não Sou Bandido


Amado Batista - Sol Vermelho

Amado Batista - Idéia Justa

Amado Batista - Meus Braços te Esperam









Amado Batista - Pensando em Você 1983
Olha
Eu estava muito longe
E de repente apareceu você
No meu pensamento
E então eu parei
Parei e fiz essa canção pra você.

Olha nesta noite calma
Sinto em minh'alma você aqui
Olha ainda nesta noite continuo triste
Pensando em você
Olha lembro como agora
No romper da aurora ter você aqui

Mais olha 
Que saudade imensa
Você para e pensa e quer me esquecer
Não faça
Eu peço
Não me esqueça

E aqui nesta distância que é tão grande
Trancado neste quarto de hotel eu penso:
Será que vale a pena estar tão longe?
Se você que eu tanto amo está distante.

Olha eu viajo muito
Mas nem por um segundo
Posso te esquecer
Olha este amor eterno
Nem com um inferno
Pode se acabar
Olha lembro como agora
No romper da aurora ter você aqui.

Mais olha 
Que saudade imensa
Você para e pensa e quer me esquecer
Não faça
Eu peço
Não me esqueça

Olha
Ainda nesta noite
Continuo triste
Pensando em você
E você para e pensa
E quer me esquecer
Olha
Eu peço
Amado Batista 1984 CD Casamento Forçado Completo


Amado Batista - Passarinho 1984 CD


Quando eu saio de casa
Percebo logo, ficar chorando
Não fique triste, pois não vou tão longe
Tu sabes bem que eu estou te amando

O meu trabalho é rotineiro
É como o seu dentro de casa
Eu venho aqui só de passeio
Te dou razão quando você fala

Que sou um passarinho
Como um beija-flor
Que saio do meu ninho
Carregando amor

Que sou um passarinho

Como um beija-flor
Que saio do meu ninho
Carregando amor

Quando eu saio de casa
Percebo logo, ficar chorando
Não fique triste, pois não vou tão longe
Tu sabes bem que eu estou te amando

O meu trabalho é rotineiro
É como o seu dentro de casa
Eu venho aqui só de passeio
Te dou razão quando você fala

Que sou um passarinho
Como um beija-flor
Que saio do meu ninho
Carregando amor

Que sou um passarinho

Como um beija-flor
Que saio do meu ninho
Carregando amor

Que sou um passarinho
Como um beija-flor
Que saio do meu ninho
Carregando amor

(Composição: Amado Batista/ Reginaldo Sodré)


Amado Batista - Seresteiro da Noite 1985


Amado Batista - Seresteiro da Noite 1985


Existem momentos na vida
Que lembramos até morrer
Passados tão tristes no amor
Que ninguém consegue esquecer
Carrego uma triste lembrança
De um bem que jurou me amar
Está presa em meu pensamento
E o tempo não vai apagar

Fui seresteiro das noites
Cantei vendo o alvorecer
Molhado com os pingos da chuva
Com flores pra lhe oferecer

Fui seresteiro das noites

Cantei vendo o alvorecer
Molhado com os pingos da chuva
Com flores pra lhe oferecer

Enquanto eu cantava o amor
Em mim uma paixão nascia
Entre a penumbra, um rosto
Na janela pra mim sorria
Um beijo uniu nossas vidas
Mas sepultou sonhos meus
Meses depois uma carta
E nela a palavra adeus

Fui seresteiro das noites
Cantei vendo o alvorecer
Molhado com os pingos da chuva
Com flores pra lhe oferecer

Fui seresteiro das noites

Cantei vendo o alvorecer
Molhado com os pingos da chuva
Com flores pra lhe oferecer

Meus cabelos estão grisalhos
Do sereno das madrugadas
Meu violão velho num canto
Já não faço mais serenatas
Abraço o calor do sol
Choro quando vejo a lua
Parceira das canções lindas
Que cantei na sua rua

Fui seresteiro das noites
Cantei vendo o alvorecer
Molhado com os pingos da chuva
Com flores pra lhe oferecer

Fui seresteiro das noites

Cantei vendo o alvorecer
Molhado com os pingos da chuva
Com flores pra lhe oferecer

(Composição: Amado Batista)


Amado Batista - Grande Cantor 1985


Amado Batista - Venha até Aqui 1985


Amado Batista - Bailinhos 1985


Amado Batista - Menininha Meu Amor 1985


Amado Batista - Procurando Alguém 1985


Amado Batista - Um Peixe ou Uma Criança 1985


Amado Batista - Quem Será 1985


Amado Batista - Perdão Meu Amor 1985


Amado Batista - Moreninha 1985


Amado Batista - Chance 1985


Amado Batista - O Amor Não Tem Idade 1985

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