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quinta-feira, 29 de julho de 2021

Textoando: Texto Poético CONFESSO


CONFESSO

Confesso! 
Ei de confessar ao universo 
Uni diversos fazedores de verso 
Ser ciente de nada saber 
Ser duvidosa do parecer 
Ser criança a envelhecer 
Ser aprendiz do querer aprender 
Ser idosa sem velha ser..

Confesso! 
Anseio desde menina 
Declarar a própria culpa 
Se minha não sei, nem saberei 
Se Deus perene ser
Não condenar a humanidade 
Quão saber ser os dominadores no mundo 
Enganadores dos povos nas nações... 

Confesso! 
Não pelo sacramento da penitência 
Que burlei ao confessor 
Nem pelos pecados que pareciam ser 
Se não os revelei 
Por vezes que em dúvida fiquei 
Ser tais atos pecadores ou seriam 
Ímpetos inversos do viver... 

Confesso! 
Pecar por vezes que questionar
Se há de absolver o penitente 
O confessor, se igual és homem pecador 
Vivente de luxuria aparente 
Enganador na fé que coloca fiéis distante 
Crendo o criador só alcançar 
Por santos interventores... 

Confesso! 
Faço-te, eminente confissão 
Tamanha confusão fazer do viver 
Em difícil ser o simples parecer 
Inda que aprender ser ancião 
O idoso de idade avançada 
Admirável e respeitado pelo saber 
Se ancião ser o idoso pelo tempo de viver... 

Confesso! 
Minh’alma inda criança 
Sentia anciã ser pelo pensar conceber 
E com anciões querer conviver
E conceber jovem ancião nem antigo ser 
Nem antiquando ou fora de moda 
O idoso que jovem julga ser 
O espírito cheio de viver querer... 

Confesso! 
Em ínfimo compreender a se ter 
Idade adulta ser alcançar maturidade,
Estado ou condição de estrutura ter 
Inda que ser estágio adulto contradizer 
Plenitude em arte saber 
ou idade adquirida o idoso ter 
Se ao partir da vida diploma não receber... 

Confesso! 
Para o aprender fim não há de ter 
E não há de caber confusão sofrida 
Ser idoso o período de vida entre juventude e velhice 
Se há jovens experientes 
E há idosos sem nada saber 
Inda que ser idoso ser 
Quem tem muitos anos de vida... 

Confesso! 
Se não há métrica 
A medir a existência da vida 
Ao se ver jovens velhos 
Achando tudo saber
E velhos jovens querendo aprender 
Sentindo nada saber
Como Eu e você. 

Cleutta Paixão
Alto Araguaia, Mato Grosso, Brasil
(28/07/2021)

Todos os direitos são reservados à autora Cleutta Paixão. Sendo expressamente Proibido a reprodução de partes ou do todo desta obra sem citar autoria, ou autorização expressa e assinada em doc. (art. 184 do Código Penal e da Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998).

Este Poema compõe o Livro Parte de um TODO “Textos Poéticos”- primeiro da série relatos poéticos, poemas, crônicas e contos que compõem a Coletânea “Totalidade” de autoria de Cleutta Paixão (pseudónimo Inêz Christina), lançamento previsto para dezembro de 2021.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

Textoando: Texto Poético ESCRITOR FÊMEA ESCRITORA SER


ESCRITOR FÊMEA ESCRITORA SER

Inda pequenininha e já cantante ser, 
com dificuldade em segurar lápis na mãozinha esquerda ter 
(inda contra Deus para a humanidade errante ser), 
imitando a mana primogénita aprendia escrever e ler, 
e rabiscando às letras aprendia o sentido das letras juntas ter 
nos escritos a formar palavras versadas acariciando o saber... 

E no mundo da cultura de barganha viver, 
quem aprende escrever caderno tem que ter 
e caderno ganha para diário fazer,
e fiz o caderno de escritos bendito ser, 
precioso ia ficando com os desenhos bonitos de ver, 
que nele aprendia fazer junto com o escrever... 

E nas palavras escritas compondo concordâncias entre si ter,
como o canto de Roberto que Eu entoava ao cantarolar,
inda que nem o sentido sabia a letra que cantava ter, 
nem o que técnica de compor no estilo que emergia ser, 
que determinando versos comunicativos via brotar 
com a ideia que passar queria remeter... 

Enquanto idade adquiria crescia no tamanho e no aprender, 
E aprendia nos livros que lia com prazer 
o que ser rima, métrica e definição de poesia pra escrever 
e que de versos em versos o primeiro caderno escrevi até preencher, 
guardado fora roubado no ano mil novecentos e oitenta ter, 
invasão tamanha não sentir antes ser... 

- descobri o roubo no dia que adentrei numa roda de alunos e até professor ter 
no corredor do colégio que Eu estudava e não mais estudar querer, 
- “meus escritos” lidos por uma sorridente ladra ser, 
apreciados pelos colegas e professores juntos a se deleitar, 
sem saber como reagir fugi sem para trás olhar 
e pra escola não voltei e da cidade mudei pra cena não lembrar... 

Penso que foi nesse episódio que comecei bloquear o pensar, 
- “Meu diário exposto sem pudor” 
com escritos que compus pra aliviar a dor, 
demonstrar amor registando aprendizado no cotidiano do viver, 
pensamentos... sentimentos e vivências na vida a decorrer, 
inda assim escrevendo diários continuei sem temer... 

Escrevendo enquanto ia prendendo fórmula em liquidificar no papel o pensar, 
maneira encontrada ser rabiscar o escrever a proteger o que só Eu compreender, 
escritos nem sempre alegres ou bonitos ser 
e poematizar preservando a ideia a passar 
quisera outra ladra do segundo caderno apropriar, 
os escritos não conseguirá entender nem ler... 

Escrever era uma sina inda menina ser, 
escrevi histórias em quadrinhos com desenhos conter, 
peças de teatro que atuei sem papel principal ter, 
sem pretensão ter de escritora vir a ser, 
se a ambição de profissão andava na contramão do sonhar, 
em belas artes me formar e aprimorar a pintura que aprendia com bravura no querer... 

E foi com a pintura o primeiro lugar numa gincana colegial a conquistar, 
- a pintura do pássaro azul em giz de cera sobre papel cartão ser, 
e o tanto que escrevia noutro caderno de desenho estava a preencher, 
cadernos bonitos de se ver sem guardados um sequer ter, 
- eram todos solicitados pela professora de desenho a dizer 
Fascinada estar e guardar querer pra nas aulas de desenho mostrar... 

E pela vida percorri e estou a perguntar: 
- és viva a professora e saberá o valor dos cadernos a guardar? se inda os tem creio não dimensionar, 
nem ciência têm que por trinta anos segui pintando e ensinando pintar, 
e fazendo da escrita passaporte ser, 
porta de entrada em concursos e cursos adentrar... 

E os escritos lamparina na escuridão ser, 
sombreiro em dias de sol a sombrear,
e guarda chuva na desagua seca manter, 
inté na tempestade do viver proteger, 
canteiros a florescer na passagem ser 
e ecos poéticos no Universo soprar... 

Dês mil novecentos e noventa escrevente ser, 
pela habilidade no uso das palavras e arte de fazer, 
iniciei a escrita de artigos jornalísticos a publicar
e edição em informativos a informar,
periódicos associativos e institucionais escrever, 
e na universidade artigos científicos e resenhas escrever... 

E lato me fizeram na universidade sem diploma ter, 
matéria em jornais e revistas jornalista me fez ser, 
e em redes sociais dês tempos atrás estou a escrever,
sem considerar escritora ser, 
até receber uma telefonema em dois mil e dez 
de uma professora de literatura (amiga de infância ser)... 

Filha da minha primeira professora crescer, 
ensinando alunos poesia conhecer 
a pedir uma entrevista para seus alunos conceder, 
afoitos a saber quantos livros escrevi?
enfática respondi não ter livros publicados, 
apenas escrevia cadernos de poesias que guardados permanecer... 

E surpresa imensa foste conceber
que o primeiro caderno de poesias a escrever,
(diário que fora roubado e esquecer), 
Fora por trinta anos mimeografado e distribuído a se ler,
nas aulas de literatura nas escolas na cidade que nasci ser, 
Alto Araguaia, Mato Grosso, Brasil, podes crer... 

Cidade madre és a primeira a conceber escritora Eu ser 
e a ladra é tempo para agradecer, 
inda que segui liquidificando os escritos e a vida por precaver,
e que estou a separar o que liquidificado picotando ser, 
e separando vou juntando e formando estilo único de escrever 
e ideias e informações as gerações passar... 

E vou além na pretensão do querer:
- deixar poemado inda que textos poéticos ser 
o registro do tempo que na terra passei o viver, 
na forma de escrita de literatura conceber 
o que pelos cantos amontoei nos gêneros ser:
- contos e crônica me aventurei e gostei de escrever... 

Estão liquidificados no blog rascunhos ser, 
esperando ser peneirados a se reconstruir, 
e inté trincheira de dueto e paródia escalei a blogar, 
romances descrevíeis no viver amor inspirar 
e nos arreios dos poemas podes crer, 
campos descampados estou a galgar... 

Escrevendo sou critica literária de meu escrever, 
antes de outros escritos ser 
e com Ariano Suassuna aprendi não ver poesia relato ser,
por mais poético que a escrita parecer, 
nem ser poema o texto não-ficcional que estou a tecer, 
e texto poético no gênero literário ser... 

E sem ser banal o conceber,
se poético couber compositora ser 
e compreender ser escritor quem escritos compor, 
seja ele qual gênero for, serei em ofício escritor 
e conforme desejou Luís Fernando Veríssimo afirmar:
- “ofício de escritor deveria como qualquer outro ser”... 

Deveria não ser banalizando o ofício de escrever, 
e se sou escritor não sei o ser, 
inda que viaje na congelação estelar 
do universo da escrita a escrever, 
se ciência ter, não segurar 
na cauda de estrela candente para ascensão ter... 

E se versos diversos ao planeta literário elevar 
sem ser banal parecer ao alcançar o meu habitar, 
inda que gente alheia julgar nada fazer 
se horas a estudar a vida e o viver alheio passar, 
inda que se define escritor o Ser que não escrever
e que apropriar der escritos alheios como seus publicar... 

Inda que comendas e diplomas ostentar, 
honrarias, indicações e moções juntar, 
outorgas, títulos e troféus que custo tem pagar 
e conquistas do escritor banalizando que bem pagar 
no universo da escrita escrevendo estou a viajar 
no tempo do tempo dos tempos da existência vagar... 

Em paradas nas estações literárias estou a descer,
pelos textos que em todo tempo estou a escrever
e conceituar o Ser escrevente escritor, 
escritor fêmea escritora ser, 
com louvor se meu escritos contribuir 
para a posteridade se espelhar... 

Inda que meu escrever mostrar, 
culturas e fatos em vivências da sociedade conter, 
inda que manifestos estejas a escrever, 
inda que o leitor do meu pensar descordar, 
inda assim escritora ei de ser 
porque meu escrever vem de Deus pelo inspirar.

Cleutta Paixão 
Alto Araguaia, Mato Grosso, Brasil
(25/07/2021)

Todos os direitos são reservados à autora Cleutta Paixão. Sendo expressamente Proibido a reprodução de partes ou do todo desta obra sem citar autoria, ou autorização expressa e assinada em doc. (art. 184 do Código Penal e da Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998).

Este Poema compõe o Livro Parte de um TODO “Textos Poéticos”- primeiro da série relatos poéticos, poemas, crônicas e contos que compõem a Coletânea “Totalidade” de autoria de Cleutta Paixão (pseudónimo Inêz Christina), lançamento previsto para dezembro de 2021.