quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Poemando: ANOS AUSENTES

ANOS AUSENTES

Retrocesso o pensar decorrendo a mente. 
Configurando o tempo ido que a gente sente.
E que distante de diletos entes vivemos a vida... 
Vivemos a solidão sussurrando a falta sentida... 
Na retrospectiva, pois és chagada a partida! 

E partindo para 2020 aprontei as malas dos desejos: 
- Forrei com abundância de abraços e beijos;
- Coloquei carinho e dedicação para os afetos;
- Enchi de conduta, cuidado, cultura em densidades; 
- Desafios escritos e fertilizantes para novas amizades. 

Completei com fidelidade, fortaleza, honra e ideal.
Por engano acrescentei imersão e insegura irreal. 
Era preciso levar e adicionei inovação e intuição... 
Jovialidade (mente, corpo e alma) e noção... 
Oportunidade, paciência, paz e perdão! 

Noutra mala, preenchi com prosperidade... 
 Reconciliação, respeito, sabedoria, sanidade... 
Saúde, serenidade, simplicidade, sinceridade... 
Tenacidade, tolerância, união, valores, verdade... 
Vivacidade, vitorias, virtudes e vontade no zelo com cada dobradura! 

Na mala coração, quanto mais colocava bênçãos... 
Deus, família, fé, honestidade, humildade, irmãos... 
Juízo, justiça, laços afetivos, lealdade, louvor... 
Lucidez, Mãe terrena e celeste, madrinhas, mentor... 
A magia do espaço alargado acontecia como motor! 

E na necessaire, situei o essencial: 
- Amor exalando uma porção na chegada final; 
- Anjos de luz alumiando o caminhar e bondade; 
- Brandura, bravura, esperança e generosidade; 
- gentileza, graça, gratidão, plenitude e nacionalidade! 

Aptidão e arte deixei para vestir. 
Eficiência e dons para calçar antes de partir. 
Sem esquecer de juntar na bagagem fábulas... 
Façanhas, fantasias, farturas, fatos e manhas... 
Matrimónio e música para ouvir na hora das lamúrias! 

E desejando iniciar o  ano adequado... 
Despachei na vala duma encruzilhada inadequada. 
Onde a enxurrada de Oxum arrastar a dor...
Para as profundezas d’além da terra amargor... 
Bruxa. maléficas e suas bruxarias de horror! 

Despachei junto calúnia, canalhice, depravação...
Desassossego, desemprego, desrespeito, difamação... 
Dissimulação, egoísmo, flagelo, fome, guerra, idolatria... 
Ignorância, incêndio, incompetência, infidelidade, injúria... 
Inveja, maldição, medo, mentira, mesquinharia... 

Negatividade, opressão, perversidade, roubalheira, sarcasmo, traição, tirania, violência e zoeira. 
Pretenso desejar se tais malefícios não eram meus. 
Já estavam na terra quando nasci e antes meus. 
E desde pequena os conheci espreitando semideus! 
Desejei água abundante pela competente dádiva do Universo... 
“Exorando” o solo e purificando o reverso. 
Desejei que a humanidade despissem-se de apologias... 
Defeitos, doutrinas enganosas, preceitos de falsas profecias... 
Prostituição e vícios não existir mais voltarias! 

E na virada, antes do estrondo tilintar no céu... 
Misturando-se as estrelas além do léu... 
Rompendo a calmaria ante a ausência deparei... 
Com a escuridão da saudade com “Jesus Cristo Eu estou aqui” (só estarei)... 
Saudade sentida na canção de Roberto (o rei). 

Minh ’alma confiante no Senhor Deus, sente... 
Uma dor profundamente... 
Diante da compreensão da leitura da escritura que mente...
Sobre o Universo e como iniciou... 
E sobre tudo e todas as coisas que Deus criou. 

Assim chego em 2020 que veio trazendo o Corona... 
Sambando no carnaval e fechando comércios na carona... 
Enchendo os hospitais e casas mortais. 
E mostrando que astros, estrelas e mitos são irreais. 
E que pobres e poderosos na hora da morte morrem iguais! 

Corona chega colocando o mundo em infinda quarentena.
A humanidade desempregada faminta ficou que dá pena. 
A caridade de gente comum despontou, 
No palco da vida que a morte encenou, 
E na arte que se calou desperança ecoou. 

E em respeito a todo ente. 
Farei um Natal singelo e diferente. 
Será sem presença e sem presentes... 
No colo de Deus vou chegar em 2021 porque Deus me sente... 
Conduzindo cuidado por todo meu caminhar dependente. 

Entregar-me a Deus plenamente, igual meus entes, 
Ciente em todas dores vindas que serei dormente... 
Nas partidas sem despedidas ou do exílio eminente... 
Pelos anos ausentes em tempo pandêmico decorrente. 
E avassalador feudo querente de toda nossa gente.

Cleutta Paixão, pseud. Inêz Christina 
Brasil
24.12.2020

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nossos passos sempre nos levarão pela fé no criador a construção efetiva dos sonhos e realização de projetos. Acredite!
Peço a gentileza para que ao utilizar imagem ou texto da minha autoria indicar o respectivo link de direcionamento e nenhum conteúdo poderá ser utilizado para fins comerciais.