quinta-feira, 3 de junho de 2021

Poemando: JUNHO ZABUMBA

JUNHO ZABUMBA

No mês de junho comemora 
Dia Santo de Corpus Christie,
Tentei na cama estagnada ficar,
Invadiu-me lembrança de gente 
Esperançosa em dançar nós Arraias... 

Apeguei-me a Deus orar
Clamando abençoar os arraias e 
Os quadrilheiros Juninos do lugar, 
Os instrumentos rimando a passear 
No forró frevo e xaxado... 

Se Deus é brasileiro há 
De ser sertanejo sem duvidar
Pela harmonia sentida nos arraias, 
Nos pássaros e nas criações,
Nos cactos a seca dessedentar... 

No sertão de Deus e 
De sol escaldante há luar 
Multifacetado iluminando arado dalém-roça, 
Onde o povo sem luxúria 
Faz seu habitat povoando cidades... 

Sob palafitas além-mar ou 
Casebres e casas bonitas vem 
Deus valhacoutar aquém-das calçadas 
E marquises sobre ar soprado 
Aquecendo abrigo dos sem-lar... 

Que cobertos com sonoros cavaquinhos, 
Pandeiros e reco-recos afofam 
Solos para plantio do milharal
Sanfonando o tempo de colher 
Num céu de ausente lacrimejar... 

E em rios secantes sofregamente 
Triângulo é benção e calmaria 
Na roça todo dia ensinando 
Grupos de professores e alunos 
Criarem melódicos saberes ao consonar... 

Igual viola e violão são 
Moças além-vida de Maria
Em casórios com festanças que 
Entoando zabumba ao arrasta pé 
De parentes compadres e vizinhos... 

Sertanejos de todos cantos entoando 
Cantorias sem igual no rincão 
Até aportar a corte francesa 
Vestida de luxo e beleza 
E Anarrie ensinar a dançar... 

E cangaceiros chegando ditou leis 
Copiou a dança da França 
Encantou sertão inserindo nós Arraias 
A quadrilha que atenção chamando 
Segue espalhando pelas regiões brasileiras... 

E junho mês que os Santos 
Iniciam os arraias não engane 
Quem pensa aprontar na festança 
Que tem Santo e proteção 
E cadeia e delegado atuando... 

Tem fogueira aquecendo o quentão 
Maçã do amor e pescaria 
Doces iguarias do milharal tem 
Canjica e curau ou cuscuz 
E pamonha e pipoca tem... 

E tem santo e proteção 
E constatação “Deus é quadrilheiro” 
Não enxerga quem não quer... 
Foi pelos Santos que se 
Criou os Arraias e as Quadrilhas

As Quadrilhas são juninas moço 
E não de outro tal,
Se não veio pela festança
Para com bagunça junta jagunça 
E vá trapacear em outro quintal.

O povo tá atento esperando 
Momento em que o homem 
Ainda pode se dá mal 
Se o moço não acordar 
Que sertanejo é o linguajar. 

Cleutta Paixão 
(04.01.2015) 

Todos os direitos são reservados à autora Cleutta Paixão. Sendo expressamente Proibido a reprodução de partes ou do todo desta obra sem citar autoria, ou autorização expressa e assinada em doc. (art. 184 do Código Penal e da Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998).

Este Poema compõe o Livro Parte de Um TODO "Poemas" - primeiro da série relatos poéticos, poemas, crônicas e contos que compõem a Coletânea “Totalidade” de autoria de Cleutta Paixão (pseudónimo Inêz Christina), lançamento previsto para dezembro de 2021

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