JUNHO ZABUMBA
No mês de junho comemora
Dia Santo de Corpus Christie,
Tentei na cama estagnada ficar,
Invadiu-me lembrança de gente
Esperançosa em dançar nós Arraias...
Apeguei-me a Deus orar
Clamando abençoar os arraias e
Os quadrilheiros Juninos do lugar,
Os instrumentos rimando a passear
No forró frevo e xaxado...
Se Deus é brasileiro há
De ser sertanejo sem duvidar
Pela harmonia sentida nos arraias,
Nos pássaros e nas criações,
Nos cactos a seca dessedentar...
No sertão de Deus e
De sol escaldante há luar
Multifacetado iluminando arado dalém-roça,
Onde o povo sem luxúria
Faz seu habitat povoando cidades...
Sob palafitas além-mar ou
Casebres e casas bonitas vem
Deus valhacoutar aquém-das calçadas
E marquises sobre ar soprado
Aquecendo abrigo dos sem-lar...
Que cobertos com sonoros cavaquinhos,
Pandeiros e reco-recos afofam
Solos para plantio do milharal
Sanfonando o tempo de colher
Num céu de ausente lacrimejar...
E em rios secantes sofregamente
Triângulo é benção e calmaria
Na roça todo dia ensinando
Grupos de professores e alunos
Criarem melódicos saberes ao consonar...
Igual viola e violão são
Moças além-vida de Maria
Em casórios com festanças que
Entoando zabumba ao arrasta pé
De parentes compadres e vizinhos...
Sertanejos de todos cantos entoando
Cantorias sem igual no rincão
Até aportar a corte francesa
Vestida de luxo e beleza
E Anarrie ensinar a dançar...
E cangaceiros chegando ditou leis
Copiou a dança da França
Encantou sertão inserindo nós Arraias
A quadrilha que atenção chamando
Segue espalhando pelas regiões brasileiras...
E junho mês que os Santos
Iniciam os arraias não engane
Quem pensa aprontar na festança
Que tem Santo e proteção
E cadeia e delegado atuando...
Tem fogueira aquecendo o quentão
Maçã do amor e pescaria
Doces iguarias do milharal tem
Canjica e curau ou cuscuz
E pamonha e pipoca tem...
E tem santo e proteção
E constatação “Deus é quadrilheiro”
Não enxerga quem não quer...
Foi pelos Santos que se
Criou os Arraias e as Quadrilhas
As Quadrilhas são juninas moço
E não de outro tal,
Se não veio pela festança
Para com bagunça junta jagunça
E vá trapacear em outro quintal.
O povo tá atento esperando
Momento em que o homem
Ainda pode se dá mal
Se o moço não acordar
Que sertanejo é o linguajar.
Cleutta Paixão
(04.01.2015)
Todos os direitos são reservados à autora Cleutta Paixão. Sendo expressamente Proibido a reprodução de partes ou do todo desta obra sem citar autoria, ou autorização expressa e assinada em doc. (art. 184 do Código Penal e da Lei 9610 de 19 de fevereiro de 1998).
Este Poema compõe o Livro Parte de Um TODO "Poemas" - primeiro da série relatos poéticos, poemas, crônicas e contos que compõem a Coletânea “Totalidade” de autoria de Cleutta Paixão (pseudónimo Inêz Christina), lançamento previsto para dezembro de 2021
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